Remoinhos
Oiço o vento soprar à minha volta, num vendaval calmo que faz remoinhos com as folhas de Outono que cobrem o chão. Numa tranquilidade agitada parece que o vento canta silenciosamente aos meus ouvidos contando-me segredos, esclarecendo as dúvidas que me invadem, confortando-me nas minhas conclusões sem sentido.
À minha volta, tudo se passa num instante apenas. Rodeiam-me os acontecimentos, as conversas, os sonhos, as responsabilidades, os desesperos. Sem que eu possa ter tempo para pensar, para perceber tudo o aconteceu, acontece e acontecerá. Sinto que o vento me leva de remoinho em remoinho de emoções e sentimentos e preciso de fugir, de deixar que uma onda de esquecimento e liberdade invada toda a minha vida e me liberte por uns momentos apenas.
Nesta estranha confusão, tudo se relaciona, tudo parece envolver-se, até me fecharem num círculo impossibilitada de sair. Eu e os outros, os outros e eu. O que acontece. O que dizem. O que fazem. O que eu faço. O que eu penso. O que eu sinto.
E engano-me a mim mesma, se penso que um momento de tranquilidade me trará luminosamente as respostas às minhas confusões, como se finalmente conseguisse ouvir as palavras sábias do vento que me rodeia. Mas um momento de sossego apenas significa meio momento antes de algo se intrometer na minha atenção e no meu remoinho pessoal de acontecimentos.
Talvez por não ser capaz de encontrar as respostas que procuro me deixe tão facilmente envolver no que me rodeia. Uma desculpa para não ter de pensar sem chegar a conclusões?
Com ou sem conclusões. Preciso desse tempo. Preciso de encontrar respostas e encontrar perguntas. Encontrar motivação e razões. Preciso de encontrar-me e conhecer-me.


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