Um sonho...
Fechei os olhos cheios de sono e voltei a abri-los numa luta insistente para não adormecer. Os bancos de trás de um carro só são muito confortáveis para adormecer quando queremos mesmo mantermo-nos acordados numa animação sem limites.
Estava escuro lá fora, não sabia que horas eram, mas o carro só com banco de trás parou e ele entrou. Arrastei-me para o lugar do meio para o deixar entrar. Olhei para ele, era a última pessoa que pensaria encontrar ali e à espera daquele carro. Sabia quem ele era, mas ele não era a pessoa que eu conhecia.
Entrou quase receoso, a olhar em volta no carro. Eu não me lembro do que o rodeava ou a mim, estava a adormecer quase constantemente e ainda mais constantemente reabria os olhos e fazia um esforço de gigante para acordar.
Não sei quanto tempo se passou no caminho desconhecido, mas naturalmente a minha mão e a dele aproximaram-se, sem malícias, segundos pensamentos, sem sequer primeiros pensamentos, foi um movimento medroso, mas um movimento natural. Não sei o que aconteceu, mas as mãos foram-se entrelaçando até que demos por isso.
O sono não me deixava pensar, parecia que via apenas partes salteadas do filme e não conseguia perceber o que se passava. E quando olhava para ele não entendia o que ele pensava ou sentia, era um autêntico puzzle inexplicável e impossível de resolver. Havia no olhar dele qualquer coisa, o quê?
Tão naturalmente como as mãos, nós aproximámo-nos, as caras aproximaram-se, os lábios aproximaram-se até ele me afastar gentilmente como se lesse os meus pensamentos mais profundos e mais lúcidos. Lembro-me de sorrir, virar-me para o outro lado continuando a lutar contra o sono, mas não conseguia continuar resistir. Enrosquei-me e cedi aos olhos a fecharem-se sem dar mais luta.
Não me lembro de acordar depois, só me lembro de estar já sem sono a passear num átrio de chão de mármore brilhante com alguém ao meu lado. Foi aí que o voltei a ver ao longe. A mesma pessoa do carro, o mesmo olhar, a mesma dúvida, a mesma indecisão, o mesmo código incompreensível. Ele aproximava-se, mas não me lembro de mais nada.
Acordei. Desta vez acordei realmente, na minha cama, no meu quarto.
E lembrava-me do que não aconteceu. Da não existente viagem de carro só com branco de trás, dele a entrar num carro que nunca que existiu, das mãos, do olhar, do talvez reencontro. Lembro-me e não sei bem o que se passou nas entrelinhas e entre-tempos. Lembro de quem ele era, de quem me fez lembrar e sei que o conheço sem nunca o ter conhecido, sem saber quem ele é e sem nada saber dele. Mas porquê este sonho hoje, agora? Porquê a dúvida? Porquê eu lembrar-me apenas de algumas partes do sonho?
Porquê um sonho dar tantas voltas na minha cabeça? Porque me dá tantas questões? Porque me faz relembrar o que quero fazer esperar? Porque me faz sentir falta?
Porque quero estar sozinha? Porque não quero estar? Porquê tudo hoje me fazer recordar o sonho e todas as dúvidas, incongruências e confusões que ele me traz?
Porquê o medo? Porquê a espera? Porquê dar a volta à cabeça e ao coração, cada um mensagem diferente?
Porquê não saber?
Porquê?
Porque haveria hoje de sonhar contigo sem saber quem tu és?
Quero parar de me perguntar. Quero parar de duvidar. Preciso de viver. Preciso da tua mão na minha, mas o tempo ainda não se decidiu. Ou, se já se decidiu, não me deixa lembrar-me de ti como és. És apenas alguém que sei quem é e não conheço.
És apenas um sonho…
Estava escuro lá fora, não sabia que horas eram, mas o carro só com banco de trás parou e ele entrou. Arrastei-me para o lugar do meio para o deixar entrar. Olhei para ele, era a última pessoa que pensaria encontrar ali e à espera daquele carro. Sabia quem ele era, mas ele não era a pessoa que eu conhecia.
Entrou quase receoso, a olhar em volta no carro. Eu não me lembro do que o rodeava ou a mim, estava a adormecer quase constantemente e ainda mais constantemente reabria os olhos e fazia um esforço de gigante para acordar.
Não sei quanto tempo se passou no caminho desconhecido, mas naturalmente a minha mão e a dele aproximaram-se, sem malícias, segundos pensamentos, sem sequer primeiros pensamentos, foi um movimento medroso, mas um movimento natural. Não sei o que aconteceu, mas as mãos foram-se entrelaçando até que demos por isso.
O sono não me deixava pensar, parecia que via apenas partes salteadas do filme e não conseguia perceber o que se passava. E quando olhava para ele não entendia o que ele pensava ou sentia, era um autêntico puzzle inexplicável e impossível de resolver. Havia no olhar dele qualquer coisa, o quê?
Tão naturalmente como as mãos, nós aproximámo-nos, as caras aproximaram-se, os lábios aproximaram-se até ele me afastar gentilmente como se lesse os meus pensamentos mais profundos e mais lúcidos. Lembro-me de sorrir, virar-me para o outro lado continuando a lutar contra o sono, mas não conseguia continuar resistir. Enrosquei-me e cedi aos olhos a fecharem-se sem dar mais luta.
Não me lembro de acordar depois, só me lembro de estar já sem sono a passear num átrio de chão de mármore brilhante com alguém ao meu lado. Foi aí que o voltei a ver ao longe. A mesma pessoa do carro, o mesmo olhar, a mesma dúvida, a mesma indecisão, o mesmo código incompreensível. Ele aproximava-se, mas não me lembro de mais nada.
Acordei. Desta vez acordei realmente, na minha cama, no meu quarto.
E lembrava-me do que não aconteceu. Da não existente viagem de carro só com branco de trás, dele a entrar num carro que nunca que existiu, das mãos, do olhar, do talvez reencontro. Lembro-me e não sei bem o que se passou nas entrelinhas e entre-tempos. Lembro de quem ele era, de quem me fez lembrar e sei que o conheço sem nunca o ter conhecido, sem saber quem ele é e sem nada saber dele. Mas porquê este sonho hoje, agora? Porquê a dúvida? Porquê eu lembrar-me apenas de algumas partes do sonho?
Porquê um sonho dar tantas voltas na minha cabeça? Porque me dá tantas questões? Porque me faz relembrar o que quero fazer esperar? Porque me faz sentir falta?
Porque quero estar sozinha? Porque não quero estar? Porquê tudo hoje me fazer recordar o sonho e todas as dúvidas, incongruências e confusões que ele me traz?
Porquê o medo? Porquê a espera? Porquê dar a volta à cabeça e ao coração, cada um mensagem diferente?
Porquê não saber?
Porquê?
Porque haveria hoje de sonhar contigo sem saber quem tu és?
Quero parar de me perguntar. Quero parar de duvidar. Preciso de viver. Preciso da tua mão na minha, mas o tempo ainda não se decidiu. Ou, se já se decidiu, não me deixa lembrar-me de ti como és. És apenas alguém que sei quem é e não conheço.
És apenas um sonho…


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