Marioneta
Às vezes dou por mim a detestar pessoas. Detesto tudo à minha volta, todo o turbilhão de acontecimentos, tudo o que me obrigam a fazer, a sentir, a pensar, a ser.
Mas que posso eu fazer? O que uma pequena marioneta com um papel secundário pode fazer? Apenas deixar-se levar no grande plano de um jogo formulado há muito tempo por pessoas cujos nomes já foram esquecidos.
Todos os que me acompanham neste caixa (onde nos guardam enquanto não servimos para nada) parecem mudos e surdos, apenas bonecos de madeira com tecidos de cores estranhas e feitios variadíssimos e sem qualquer objectivo de vida. Acho que gosto de pensar que eles são como eu e o que nos impede de partilhar é uma sádica impossibilidade de comunicar.
É que tristemente comunicar é o nosso único papel neste mundo. Com outras vozes e outras mentes a tentarem pensar por nós, é certo, mas continuamos a ser nós a fazer a história, a ter a experiência, a vivenciar acontecimentos, a poder sentir. E mesmo que tudo isso fosse já previamente pensado e escrito, para mim é vivido uma única vez, sem nunca saber o que pode acontecer a seguir.
Todas as nossas histórias, com ou sem moral, são o encanto (ou desencanto em certos casos) de quem as observa, mas entre nós não conseguimos transmitir um único sentimento, um sorriso, uma lágrima…nada. Somos bonecos sem vida.
Mas entre a vida (ou não-vida) que os outros crêem que eu tenho e a minha existência real vai uma boa distância, por isso é que detesto quando as pessoas querem controlar tudo, quando querem ser escritoras de histórias e ao mesmo tempo suas executoras, quando não percebem que cada um tem o seu papel a desempenhar e que não somos todos capazes do mesmo, não temos todos os mesmos limites.
Até eu tenho o meu papel enquanto marioneta secundária. Por muito que me entristeça olhar à minha volta e sentir-me sozinha, sei que no momento de viver a minha história sou capaz de voar além desta realidade e imaginar tudo à minha volta de maneira diferente.
Depois regresso à caixa. Está tão cheia que me sinto verdadeiramente sozinha a olhar os rostos inexpressivos dos outros bonecos. E sinto que sou apenas mais uma, mais um peão no grande jogo, apenas uma peça dispensável sem um objectivo a cumprir. Apenas mais uma.
Mas que posso eu fazer? O que uma pequena marioneta com um papel secundário pode fazer? Apenas deixar-se levar no grande plano de um jogo formulado há muito tempo por pessoas cujos nomes já foram esquecidos.
Todos os que me acompanham neste caixa (onde nos guardam enquanto não servimos para nada) parecem mudos e surdos, apenas bonecos de madeira com tecidos de cores estranhas e feitios variadíssimos e sem qualquer objectivo de vida. Acho que gosto de pensar que eles são como eu e o que nos impede de partilhar é uma sádica impossibilidade de comunicar.
É que tristemente comunicar é o nosso único papel neste mundo. Com outras vozes e outras mentes a tentarem pensar por nós, é certo, mas continuamos a ser nós a fazer a história, a ter a experiência, a vivenciar acontecimentos, a poder sentir. E mesmo que tudo isso fosse já previamente pensado e escrito, para mim é vivido uma única vez, sem nunca saber o que pode acontecer a seguir.
Todas as nossas histórias, com ou sem moral, são o encanto (ou desencanto em certos casos) de quem as observa, mas entre nós não conseguimos transmitir um único sentimento, um sorriso, uma lágrima…nada. Somos bonecos sem vida.
Mas entre a vida (ou não-vida) que os outros crêem que eu tenho e a minha existência real vai uma boa distância, por isso é que detesto quando as pessoas querem controlar tudo, quando querem ser escritoras de histórias e ao mesmo tempo suas executoras, quando não percebem que cada um tem o seu papel a desempenhar e que não somos todos capazes do mesmo, não temos todos os mesmos limites.
Até eu tenho o meu papel enquanto marioneta secundária. Por muito que me entristeça olhar à minha volta e sentir-me sozinha, sei que no momento de viver a minha história sou capaz de voar além desta realidade e imaginar tudo à minha volta de maneira diferente.
Depois regresso à caixa. Está tão cheia que me sinto verdadeiramente sozinha a olhar os rostos inexpressivos dos outros bonecos. E sinto que sou apenas mais uma, mais um peão no grande jogo, apenas uma peça dispensável sem um objectivo a cumprir. Apenas mais uma.
Mais uma…fará a diferença? Quero acreditar que sim…


0 Comentários:
Enviar um comentário
Subscrever Enviar comentários [Atom]
Hiperligações para esta mensagem:
Criar uma hiperligação
<< Página inicial